Depois de um período onde vivenciamos uma certa agitação, devido as polémicas eleições, onde, ao que parece, *"o vencedor perdeu",* ou algo parecido, cá estamos nós, outra vez, na labuta, até porque *"a vida não para".*
Na continua conversa com os meus botões, saltou-me a vista a questão da *"reforma na minha terra",* ou seja, nesta Angola que tinha de tudo para ser "rainha", mas que, quase 50 anos depois, continua sendo "mártir".
*Diz-se que Deus (de maneira invejável, para os outros povos, deu-nos tudo, tudo de bom, mas somente uma desdita, ** *os maus homens que por aqui impestam.**
A reforma em Angola é considerada como um período **pré-morte, devido ao abandono total a que os pensionistas ou reformados são votados*, mais propriamente a falta de oportunidade (outras tarefas) a que se é votado, com excepção de um grupinho, *os tais especiais que não precisavam de se reformar.*
Será que a experiência dos pensionistas (reformados), que pese embora se tenham reformado, ainda se encontrem em boa forma física e mental, não pode ou deve ser aproveitada, no encaminhamento, direccionamento dos mais novos, licenciados ou não que se iniciam nesta ou naquela actividade? Porquê que esses intelectuais não são aproveitados, com razoável remuneração (é claro!) para a docência em universidades, institutos politécnicos, etc.? Quase 50 anos após a independência nacional, ainda quererão justificar falta de quadros enquanto não se aproveita os muitos que temos, ao invés de continuarmos a apostar nos expatriados, sendo muitos deles verdadeiros caloiros que vêem para aqui aprender e ficarem milionários dados os altíssimos salários, que é proibitivo para os nacionais?
A verdade é que, faz algum tempo que um dado "Chico esperto", decidiu limitar os tectos para a "pensão de reforma", para o máximo, cerca de 575 mil KZ, que no limiar das eleições foi actualizado (?) para caçar votos (é claro!) em cerca de 5% para 607 mil kz, e o mínimo cerca de 30 mil kz, actualizado para 39 mil kz. Esses valores, míseros (para quem trabalhou uma vida inteira), comparando aos preços da sesta básica, não permitem que os pensionistas sobrevivam, ou tenham uma vida digna, até porque a maioria deles, pela sua idade, necessitam de consultas médicas frequentes, (devido as doenças crônicas como hipertensão, diabetes e outras), medicamentos, (que não são baratos), uma alimentação cuidada, etc. Devido ao apertado e difícil cenário que a vida, no país apresenta, poucas são as ajudas que podem receber dos filhos, pelo contrário, até verifica-se o inverso.
Por outro lado, a maioria das pessoas têm estado a ser forçados a sua retirada para a reforma, após os 60 anos de idade, ou seja, *reforma compulsiva (obrigatória),* ou 35 anos de trabalho, enquanto que, outros, por atingirem alguns cargos cimeiros(?) no país, em empresas estatais, ou partidárias, atingem a idade de reforma e ninguém se digna reformar-lhes ou pressionar a isso. Porquê? Será que em Angola não há pessoas competentes para os substituir? Ou são especiais?
O actual presidente, quando concorria para o primeiro mandato, prometera subvencionar os medicamentos para essa franja da população. *Algo que faz parte das variadas promessas esquecidas.*
*Um país não se faz com "um peso para duas medidas". Deve ser-se honesto, sério e justo.*
Kuxixima Kwamy
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