Gostaria de dizer "benvindo senhor Cissé"

Bom dia caros irmãos, amigos e concidadãos

16 March 2026 2 min read
Gostaria de dizer "benvindo senhor Cissé"

Na habitual conversa com os meus botões, estes recordaram-me as notícias que estão a circular na nossa urbe, da contratação do senegalês, Cissé, como selecionador dos Palancas Negras, a nossa seleção principal de futebol.
Em condições normais, nós deveriamos bater palmas, porque pelo curriculum do técnico contratado, poderia aventar dias promissores para o nosso futebol. Uma das vantagens é ele ser africano e, em certa medida, compreender parte dos nossos problemas, o que pode facilitar.
Mas, eu antevejo um cenário sombrio para o técnico, independentemente da sua competência. O calcanhar de Aquiles está na própria Federação Angolana de Futebol, (FAF) e no sistema de organização desta. Outrossim, é a política desportiva que aqui se faz, (ou seja, não existe) o que condiciona o aparecimento de bons jogadores. Permitiu-se a alienação da maioria dos campos de futebol que existiam nas cidades e periferias. A camada jovem ficou sem recintos para praticarem livremente a modalidade, naqueles que chamamos de *"desporto de rua".* 
Por outro lado, não há os escalões de base ou seja, de formação, (infantil, juvenis, juniores e posteriormente o séniores, assim como os respectivos campeonatos). *Então, qual é a política desportiva existentes no país? Nenhuma!* Isso faz com que apareçam simplesmente jogadores séniores, cheios de problemas e muitos vícios. Não temos gestores desportivos, aliás de um tempo a esta parte, os homens que dirigem a FAF, têm sido políticos do "partido" (que não têm "nada a ver" com o desporto ou modalidade), infelizmente. Distorcem tudo, num país  onde a política para a juventude é nula. *O que sobressai é, "tudo pelo partido".* O que fizeram? Puseram o nosso futebol nas condições em que está. Nem tudo funciona com a bandeira do partido, e o desporto em particular, aliás, *estragaram, literalmente, tudo em que puseram as mãos.* O reflexo está no posicionamento que as nossas equipas têm no contexto africano. Diz o ditado, que *"não se fazem omelete sem ovos".* 
O senhor Cissé deveria ponderar estes pormenores, antes de aceitar o contrato, a começar pelas regularidades de pagamento dos salários. Tenho quase a certeza, que no final, a passagem por Angola, penderá negativamente no seu curriculum, como aconteceu com os seus antecessores. Nós tivemos um óptimo treinador, que depois de ter sido forçado a "fugir" daqui, deu cartas pelo mundo como profissional, o senhor Herver Renah. Não aproveitamos a sua permanência em Angola, nem sequer a valência dos técnicos angolanos, *numa autêntica "xenofobia" aos nacionais.*

Kuxixima Kwamy

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