Nagrelha, um fenômeno (?) em Angola

Bom dia irmãos, amigos e concidadãos.

24 November 2022 3 min read
Nagrelha, um fenômeno (?) em Angola

Nos últimos dias, a sociedade angolana, viu-se confrontada com tumultos, com mortos e feridos a mistura, originados pelo passamento físico do músico kudirista "Nagrelha". É claro que o jornalismo radiofónico e sensacionalista da nossa rádio, contribuiu para a inflamação, e de que maneiras, (como o fazem sempre, dando excessiva importância ao que não devem, e vice-versa), nos comentários e entrevistas tendenciosas, para que os ânimos estivessem altíssimos no dia do funeral. Quem esperou outra coisa, é imensamente ingénuo.

Após a criação desse estilo de música e dança por parte de Tony Amado, muitos jovens, e até crianças, essencialmente nos guetos de Luanda, aderiram como escape para a falta de oportunidades que se fazia sentir, no âmbito cultural e não só. Surgiram os Sebem, Pai Diesel, Gasolina, Noite e Dia, Própria Lixa e muitos outros.

Cedo, no seu seio, como movimento "marginal", começou a fazer-se (aliás, fazia parte do consumo obrigatório dos intervenientes) presente o uso de substâncias menos boas, como drogas, liambas (canabis) e outros tipos de estupefacientes. O estilo, como um cancro, rapidamente se desenvolveu e espalhou no seio de uma juventude carente de direcção. Mas foi o Nagrelha (que entitulou-se "Estado Maior" do kuduro, e os Lambas, quem deram um maior perfume, ao estilo, tornando-o, com as suas mensagens, num verdadeiro "símbolo do gueto angolano" e mais tarde, o internacionizaram, alcoolizados e repletos de drogas, numa incrível sincronia com a deliquência.

Assim são, aqueles que "alguém" pretende(u) que fossem (sejam) os nossos ícones, as nossas referências. Claro, fazer deles ícone (ainda que tenham atingido alguma fama) no seio de analfabetos e marginais, é enganar completamente uma sociedade, algo que já tinha começado e necessitavam aumentar e dar cunho ao ritmo. Só assim se aceita, que numa sociedade onde durante cerca de  meio século (47 anos), a juventude não teve uma linha educacional a seguir, um perfil em que se pudessem orientar, senão o imediatismo, corrupção, subir sem esforços (lambebotismo), a cultura das alienações (pelo álcool com venda de cerveja a granel, onde a água chega a ser mais cara que a cerveja), os patrocínio são (eram) para maratonas e a "negação" de subsídios para melhorar a educação (as escolas) e a saúde era (é) a tônica dominante.

A falta de investimento no homem, durante muito tempo, o incentivo de políticas governamentais de "distração" com o objectivo de desviar a atenção da juventude para coisas supérfluas (uso de estupefacientes sob o olhar de todos, até quando eram recebidos para as festanças no palácio presidencial, onde se tornaram "coqueluches") culminou no que aconteceu no funeral de Nagrelha, onde as pessoas aproveitaram-se para mostrar o seu estado de espírito, ou seja, o elevado estado de descontentamento e  "frustração social".

 *O que esperavam face tamanha saturação? Face tamanha falta de esperança no "futuro" que não existe* ?

Kuxixima Kwamy 

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