Não há mal que não tenha fim

Bom dia irmãos, amigos e concidadãos.

01 February 2023 3 min read
Não há mal que não tenha fim

Hoje, despertei com uma vontade "suis genere" de viajar para os arredores de Luanda. Lembrei-me de que, na década dos 90, nas nossas conversas de final do dia, no Malongo (Cabinda), o tema girava ao redor de que nós os "mukuakuisas" (do outro lado do rio Zaire, que éramos vistos como colonizadores). Eramos os culpados da falta de desenvolvimento da zona, da miséria nas suas províncias, pois, segundo eles,  exploravamos desenfreadamente as riquezas minerais (e não só, madeira, ouro, pesca) em prol do desenvolvimento da zona norte, da capital (Luanda e arredores). Advogavam os acordos de Simulambuco para justificar que se tratava de um protectorado, que já terminara e que aquela parte do conclave não pertence a Angola, e portanto não  éramos vistos com "bons olhos". Esse sentimento era generalizado, até em crianças, perigando até a nossa presença, como simples trabalhadores.

Difícil foi (era) tentar explicar que a culpa não era nossa, mas sim de um sistema (caduco e injusto de distribuição de riqueza e era um mal que enferma(va) todo o país) e que em Luanda, depois de Viana, já não havia nada, verifica(va)-se uma autêntica desgraça, tanto mais que, em Catete, a escassos 60 kilometros de de Luanda, já não encontrava-se (encontras) crianças na faixa etária de 5 á 12 anos de idade. *Porquê?* Porque os pais preferem enviar para Luanda, ao cuidado de parentes (irmãos, primos, ou alguém próximo) a fim de terem uma educação "mais cuidada", (como escolas, saúde, o ambiente em si, etc), dada a falta, na zona.

Hoje, passados mais de 30 anos, o cenário não mudou. Continuamos a ter zonas onde se exploram riquezas e não se fazem os "devidos" investimentos, no sentido de melhorar a vida das populações. Por exemplo, o que é que a população da vila de Bom Jesus, ganha de "concreto" com a existência das fábricas de refrigerantes, de cervejas, e a exploração de água "Bom Jesus"? Segundo se diz, a Coca-Cola, pagava impostos em forma de doações dirigidas a FESA. Porquê a essa organização?

Nessa zona explora-se inertes, material de construção (burgau e outros). Para onde vai, os rendimentos dessa actividade?

Bem capitalizados não serviriam para ajudar a desenvolver a zona, criar mais valia e melhorar a paupérrima vida das populações?

Porquê que neste país, continuamos com as maiores dotações orçamentais para a Defesa e só se investe em armas e meios bélicos? Contra quem guerreamos? Em quanto melhorou o Orçamento Geral do Estado, acabado de aprovar, para a Educação e saúde, para a educação cívica? Com esse tipo  de políticas, como não suscitar o sentimento de exclusão, de revolta? *Mais parece uma "brincadeira de mau gosto".* É preciso investir na educação e formação do homem, com placares, dísticos, etc, no sentido de mudar as consciências. *É preciso inculcar nas pessoas as regras básicas para uma boa "convivência social".* Para isso o "Estado" tem que investir, gastar.

 *É necessário "pensar social", "pensar nação"*.

Kuxixima Kwamy 

Discussão

Comentários

0
Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a participar.

Deixe um comentário

Inicie sessão para deixar um comentário.