Hoje, aqui estou eu, mais uma vez, para depois de uma breve conversa com os meus botões, sobre a economia nacional e a subida dos preços dos produtos da "famosa ou famigerada", sexta básica.
É verdade que com os preços que se fazem no nosso mercado, é extremamente difícil uma família da classe média (alguma vez existiu em Angola? Se, sim, qual é a sua renda anual?) conseguir dar uma refeição diária, condigna, a sua família. Num país normal (claro, o nosso está longe de o ser!), as classes sociais a que pertencem as famílias, determina-se, pelos *"rendimentos no final do ano",* ou seja a diferença entre o que entra (somatório dos salários e outros negócios), e o que economizam no final do ano. Isso diferencia as 3 ou 4 classes (baixa renda, média, alta e os ricos) que podem existir.
Em Angola, infelizmente, a classe mais baixa é a "miséria", aqueles cujo salário oscila dos 20 aos 50 mil kwanzas mensais, depois a "pobre", seguida da "baixa renda", "média " ( se existir), "alta renda" e termina na "rica" (quem são e o que fazem? Porque pelo nível de salários, nem classe média devia existir!) Olhem para o herário público, como está!. Sabemos que há os que não chegam a auferir essas quantias (salários) mínimas ou seja situam-se abaixo disso (pelos baixos salários, cerca de 15 mil kwanzas, e os altíssimos indicie de informalidade da nossa economia). Como os classificar, com os salários da Função Pública e outros?
Como regularizar a nossa economia, se aquele que deveria gerir-la, se esqueceu (ou não quer) de fazer? Será mesmo incompetência? Com esses salários é impossível fazer-se "poupanças", até porque depois de 10 dias, tanto mais, já nada fica, contrariamente ao que as entidades economicas do país, apregoam! Claro, têm tudo, absolutamente, tudo pago, do combustível às propinas dos filhos e os negócios que fazem consigo mesmo!
Abro um parêntesis, para dar uma olhadela no Dombe Grande (província de Benguela), o celeiro do feijão em Angola, onde centenas de indivíduos (oriundos da RDC) compram o feijão, as toneladas, cada um, para levar para a revenda na RDC. Os mesmos esperam lá em Benguela, em tendas de campismo (repito, as centenas), enquanto que, aqui no mercado interno, há uma grande escassez do referido produto, o que faz com que o preço ascenda os 1500 KZ, por quilo. É bom quando os nossos produtos têm mercado fora das nossas fronteiras, mas para exportar-se deve ser o excedente, primeiro deve-se "satisfazer" o mercado nacional.
Esse produto (faz parte da "cesta básica". Como é que o nosso governo permite que isso aconteça? Qual é a situação migratória dos que compram e o que é que o país ganha com isso? Finalmente, qual é o papel dos Ministério da Economia e da Coordenação Económica, que não conseguem fazer com que esse produto chegue às nossas mesas, mas sim vá para a RDC, via Luvo e estão a preparar para começar por fazê-lo, via Caminho de Ferro de Benguela (CFB)? Inacreditável !!
O Ministério da Economia, em colaboração com o da Coordenação Económica, deveriam trabalhar para que a "cesta básica" chegue a mesa da população sem grandes transtornos. O caso do feijão, no Dombe Grande, em Benguela é um exemplo simples e claro. É dever dos Ministérios avaliarem, em quanto se sifra a produção de feijão junto dos produtores, com eles negociar, comprar-la e enviar para os interpostos ou "interpostos aduaneiros" (como queiram chamar!), onde os empresários irão adquirir-los (claro, com uma valia ou um pequeno lucro para o Estado). Os empresários, por sua vez, levariam esses produtos para as grandes superficies para venda pública, com uma margem fixa de preços (garantindo assim, que também lucrem) e severa penalização aos prevaricadores. Teríamos assim uma corrente comercial ( *chain*, em inglês), onde até empregos diretos e indirectos (motoristas, carregadores, gestores, etc), mas necessários, se criariam.
Os produtos chegariam mais baratos à mesa das famílias. Assim poder-se-á dar mais trabalho para a "Fiscalização" que nada fiscalizam e tentariamos adequar a economia aos "parquissimos" salários que se aufere.
Mas o que se passa neste país? Em que pensam os ministros? *Que barbaridade é essa?*
Kuxixima Kwamy
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